Em sua recente apresentação, a Apple detalhou o funcionamento do novo processador A15 Bionic, considerado pela empresa a “alma” da linha iPhone 13 e o chip mais rápido do mundo para smartphones. No entanto, a análise técnica do componente revela que a estratégia da companhia vai muito além da velocidade bruta, focando em uma integração profunda entre hardware e software que pavimenta o caminho para futuras gerações, incluindo rumores que já circulam sobre o distante iPhone 18.
Arquitetura planejada com antecedência
A gigante de Cupertino afirma que o segredo para o desempenho surpreendente de seus processadores reside no planejamento de longo prazo. Os recursos necessários são desenhados com anos de antecedência. Um exemplo claro dessa sinergia é a tela ProMotion: a equipe responsável pelo silício compreendia perfeitamente as demandas tanto do hardware do display quanto do software e do sistema operacional, desenvolvendo o chip especificamente para suportar essas necessidades.
Embora carreguem o mesmo nome, há uma distinção importante entre os componentes da linha padrão e da linha Pro. O A15 Bionic presente no iPhone 13 Pro é ainda mais robusto, equipado com uma GPU de 5 núcleos — um a mais que os modelos 13 e 13 Mini. Esse núcleo extra oferece um desempenho gráfico até 50% superior a qualquer concorrente e é fundamental para funções exclusivas, como a gravação em resolução ProRes e a própria taxa de atualização de 120Hz da tela ProMotion.
Mudança de foco: eficiência sobre força bruta
Curiosamente, a Apple optou por não divulgar comparações diretas entre o A15 e seu antecessor, o A14 Bionic, utilizando o Snapdragon 888 da Qualcomm como referência de rivalidade. Mantendo o processo de fabricação de 5 nm e a arquitetura de CPU de 6 núcleos (dois de desempenho e quatro de eficiência), a nova geração apresenta uma evolução incremental em termos de velocidade pura.
Especula-se, com base em análises de especialistas como o Anandtech, que se o A14 já era 40% mais veloz que o Snapdragon 888, o ganho real do A15 sobre o A14 pode girar em torno de apenas 6%. Fazendo uma analogia futebolística, a Apple não está acomodada; ela joga no contra-ataque, aguardando o adversário com uma defesa sólida, mas sendo letal quando assume a posse de bola.
A prioridade clara desta geração foi o aumento da eficiência energética em vez de um salto gigantesco de processamento, visto que o desempenho já superava os rivais com folga. Mesmo assim, o chip traz avanços significativos em outras frentes, como a nova Neural Engine de 16 núcleos. Capaz de realizar 15,8 trilhões de operações por segundo, ela viabiliza recursos complexos de aprendizado de máquina, como o Live Text e o modo Cinema, que ajusta o foco dinamicamente ao identificar olhares para a câmera.
O horizonte das telas: expectativas para o iPhone 18
Enquanto o A15 consolida a eficiência atual, a indústria já volta seus olhos para o que essa evolução de hardware permitirá no futuro, especificamente no que tange à qualidade de exibição do iPhone 18. Segundo relatórios recentes divulgados pelo MacRumors, que citam o vazador conhecido como “Instant Digital” no Weibo, a Apple planeja um salto drástico nos requisitos de brilho de tela para o final de 2026.
As exigências são tão elevadas que podem alterar a cadeia de suprimentos da empresa. A fabricante chinesa BOE, que forneceu painéis para o mercado interno em gerações anteriores, corre o risco de ficar fora do projeto do iPhone 18 por não conseguir atingir as novas metas de luminosidade, deixando a produção concentrada nas mãos da Samsung e da LG.
Para contextualizar o avanço esperado, o iPhone 17 (assim como as linhas 15 e 16) trabalha com um brilho máximo típico de 1.000 nits, pico de HDR de 1.600 nits e um brilho externo máximo que subiu para 3.000 nits. Como a BOE já era capaz de atender a essas especificações, sua provável exclusão sugere que o iPhone 18 entregará uma tela significativamente mais brilhante do que qualquer coisa vista até o momento, exigindo uma nova geração de processadores ainda mais capazes de gerenciar esse consumo energético.