Nesta segunda-feira (9), a bolsa caiu 12,17% e o dólar foi a R$ 4,7940 (Foto: Pixabay)

A Bolsa brasileira fechou em queda de 12,17% nesta segunda-feira, 9, aos 86.067,20 pontos, e o dólar alcançou 4,7243, com alta de 1,95%, em dia de caos nos mercados financeiros globais. Foi a maior queda diária, em porcentual, do Ibovespa desde 10 de setembro de 1998.

A B3 teve de acionar o circuit breaker de manhã – o mecanismo suspendeu os negócios por pouco mais de meia hora, depois de o Ibovespa ter caído mais de 10%. Depois de uma melhora pontual, o índice voltou a acelerar o ritmo de queda, acompanhando o mercado internacional.

Conforme a agência das Nações Unidas para Comércio e Desenvolvimento (Unctad), a crise do coronavírus levará alguns países à recessão e o órgão está disposto a ajudar. “O crescimento global desacelerará para menos de 2,5% em 2020 e os impactos do coronavírus devem causar queda de US$ 2 trilhões na receita global.” Segundo a Unctad, as economias mais afetadas por coronavírus serão as exportadoras de commodities e os bancos centrais não estão em posição de resolver a crise do coronavírus sozinhos.

Internamente, o movimento coincide com as declarações do presidente Jair Bolsonaro. No Twitter, ele negou a possibilidade de aumentar a Cide para manter os preços dos combustíveis.

Os negócios na B3 foram retomados às 11h08. O circuit breaker foi acionado quando o Ibovespa caiu 10,02%, chegando aos 88.178,33 pontos, às 10h30 – o mecanismo permite, na ocorrência de movimentos bruscos de mercado, o amortecimento das ordens de compra e de venda. Os preços das ações estão sendo afetados fortemente pela queda no preço do petróleo no mercado internacional – a maior em um único dia desde a Guerra do Golfo, em 1991.

Na hora em que a Bolsa entrou no circuit breaker, Petrobrás ON cedia 24,61% e Petrobrás PN, 23,96%. A mineradora Vale recuava 10,78%.  No fim do dia, a petroleira perdeu R$ 91,2 bilhões em valor de mercado, com queda de 29,68% nas ações ON e de 29,70% nas PN, nos maiores recuos diários desde 1990.

Foi a 18ª vez em que o mecanismo foi acionado desde sua adoção em 1997. A última ocasião foi em 18 de maio de 2017, por causa da Delação da JBS.

Novo recorde do dólar

O dólar começou a semana batendo mais um recorde nominal – descontando a inflação – desde o Plano Real, atingindo a casa de R$ 4,79, na manhã desta segunda. De acordo com levantamento do Estadão/Broadcast, a moeda americana chegou a ser negociada por mais de R$ 5 nas casas de câmbio.

Para tentar conter a disparada do dólar, o Banco Central vendeu US$ 3 bilhões à vista das reservas internacionais ainda de manhã. A decisão se deu por “condições do mercado”, de acordo com a assessoria de imprensa do BC. À tarde, o BC vendeu hmais US$ 465 milhões em novo leilão de dólares à vista. 

A moeda americana fechou o dia cotada a R$ 4,7243, com aumento de 1,95, depois de ter atingido a máxima de R$ 4,7927 no período da manhã.

O dia foi marcado por quedas em Bolsas ao redor do mundo por medo sobre o novo coronavírus e como consequência da disputa de preços de petróleo entre Arábia Saudita e Rússia – o barril do tipo Brent chegou a recuar 31%, no maior tombo desde a Guerra do Golfo (1990 e 1991).

Na Ásia, as Bolsas da China, seguindo o mau humor generalizado dos mercados financeiros, fecharam em queda. O principal índice acionário do país, o Xangai Composite, teve recuo de 3,01%.

Na Europa, as Bolsas registraram quedas expressivas. O índice pan-europeu Stoxx 600 fechou em queda de 7,44%. Pesou nesse resultado, além da crise do petróleo, o avanço das mortes por coronavírus, em meio à dificuldade dos países europeus em conter a propagação da doença.

Em Londres, o índice FTSE 100 fechou em baixa de 7,69%, com forte impacto das quedas de mineradoras. O DAX de Frankfurt caiu 7,94%, pressionado pelas ações de bancos.

Em Paris, o índice CAC 40 teve desvalorização de 8,39% e, em Milão, o FTSE MIB registrou baixa de 11,17%.

Queda do petróleo

Os contratos futuros de petróleo reduziram perdas, em comparação com o que foi visto mais cedo, mas continua em forte queda, após a Arábia Saudita reduzir seus preços e abrir caminho para um forte aumento na sua produção em abril, depois do impasse entre a Organização dos Países Exportadores de Petróleo e Aliados (Opep+) para continuar a cortar a oferta. A Rússia, líder informal da Opep+, não aceitou a proposta da Opep.

Às 11h19 (de Brasília), o barril do WTI para abril caía 17,27%, a US$ 34,15 o barril, na New York Mercantile Exchange (Nymex), e o Brent para maio tinha baixa de 18,75% o barril, a US$ 36,78 o barril, na Intercontinental Exchange (ICE).