(Foto: Divulgação/PF)

A Polícia Federal deflagou na manhã desta sexta-feira, 14, a Operação Presságio em Cruzeiro do Sul, Rio Branco e em outros cinco estados. Foram cumpridos mandados judiciais nos estados do Amazonas, Acre, Rondônia, Minas Gerais, Sergipe e no Distrito Federal.

A operação investigava os crimes de corrupção passiva e ativa, quadrilha ou bando, falsidade ideológica e lavagem de dinheiro, supostamente cometidos por agentes políticos, servidores da Prefeitura de Cruzeiro do Sul e por gestores de uma ONG que prestava serviços à prefeitura.

De acordo com a assessoria de comunicação da PF, foram cumpridos 7 mandados de prisão, 49 mandados de busca e apreensão de mídias eletrônicas, processos licitatórios, notas fiscais e documentos relacionados a investigação. Além disso, a Justiça decretou o bloqueio de R$ 3.840.000,00 dos investigados.

A operação foi batizada com o nome “Presságio” (indício de algo que está para acontecer) em razão da equipe investigativa ter detectado que os integrantes da suposta organização criminosa pressentiam e temiam que logo o esquema seria descoberto e eles presos.

(Foto: Divulgação)

Como funcionava o desvio

A referida ONG, fundada em 1967 em Minas Gerais, foi contratada com dispensa de licitação pela prefeitura, entretanto, jamais prestou os serviços que são objeto dos termos de colaboração firmados com o ente municipal.

Ao todo foram firmados cinco termos com diversas secretarias da prefeitura, no valor de R$ 52.164.593,74. Até o fim do exercício de 2019, ela já havia recebido cerca de R$ 27 milhões.

Durante a investigação apurou-se que os serviços licitados pela prefeitura não foram efetivamente cumpridos, e sequer seriam realizados até o fim da vigência dos contratos com a ONG supracitada.

A referida ONG deveria até 2021 tornar Cruzeiro do Sul autossuficiente na produção de energia por meio do aproveitamento do lixo produzido no município. Com efeito, o serviço de coleta de lixo prestado em Cruzeiro do Sul está muito distante disso.

O “modus operandi” da organização criminosa era complexo e envolvia diversas pessoas, tanto físicas quanto jurídicas. A grosso modo, os pagamentos que ela recebia da prefeitura eram utilizados para o pagamento de uma empresa contratada pela própria ONG.

Essa empresa, que fora criada especificamente para prestar serviços à ONG em Cruzeiro do Sul, repassava os valores para diversas empresas de fachadas. Essas PJs, por sua vez, distribuíam o dinheiro entre os membros da organização criminosa.

(Foto: Divulgação)

Prefeito publicou vídeo

“Não tenho nada a temer”, afirmou o prefeito de Cruzeiro do Sul, Ilderlei Cordeiro, que não está na cidade, mas publicou um vídeo nas redes sociais negando acusações sobre o esquema que está sendo investigado pela PF.

“Queria poder estar aí [em Cruzeiro do Sul] para acompanhar de perto essa situação, porque eu tô em paz, não tenho nada a temer. Minha gestão, até onde eu sei, a nossa equipe tem dado sempre o melhor e feito tudo que é possível com transparência”, disse o prefeito.