“Nós estamos passando necessidade!”. Essa foi a frase dita por um terceirizado que trabalha na limpeza, no período noturno, da Unidade de Pronto Atendimento (UPA) do 2° distrito de Rio Branco. Os servidores se recusam a realizar a limpeza da unidade na noite desta segunda-feira (17), até que algum representante da firma que eles trabalham, a Pit Stop, resolva a situação.

Ao Alerta Acre, o homem disse que os colegas e ele estão há 1 mês e 17 dias sem receber, sempre na promessa de que os salários serão pagos. O caso iniciou em janeiro, quando a Pit Stop começou a atrasar os salários dos funcionários.

“Muita gente aqui está passando necessidade, tem uma colega nossa que contou que sofre de um problema no coração e que o remédio dela vai acabar na quarta. Ela começou a chorar ao falar sobre isso, porque não tem dinheiro para comprar o medicamento, pois é caro”, disse o homem.

Além disso, o terceirizado disse que vários colegas que têm família estão na mesma situação. “Compraram algumas massas de mingau para a criança de uma colega nossa, para tentar ajudar um pouco. A criança só não está passando fome pois a mãe da nossa colega está ajudando ela”.

Massas de mingau doadas à colega que não recebe salário há quase dois meses e tem uma criança pequena (Foto: Cedida)

O homem ainda disse que somente os funcionários da firma que trabalham a noite na limpeza da UPA estão sem receber. Ele foi informado que servidores da manhã e da tarde estão recebendo seus salários em dia.

“Nós só queremos receber, não temos como colocar gasolina nos veículos para chegar ao trabalho, e também não podemos trabalhar durante o dia, pois entramos a noite e saímos de manhã daqui, sem condições de ir para outro emprego”, conta o funcionário.

Ele informou também que a firma não está depositando o Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) dos funcionários. Segundo o servidor, ele está com 4 anos de serviço na empresa e o valor no FGTS está abaixo do que realmente deveria ter. Os colegas também denunciam o mesmo caso.

O terceirizado disse que procurou a firma na noite desta segunda, antes do inicio da paralisação, para saber quando os problemas dos salários seriam resolvidos, mas uma fiscal da Pit Stop disse que eles deveriam trabalhar, sob ameaça de serem demitidos.

“Ela disse para nós irmos trabalhar, e que se nós parássemos, fizéssemos uma greve e etc, a empresa iria entrar em falência e seríamos todos demitidos”, disse o homem.

Posicionamento da empresa

A fiscal de contratos da empresa Pit Stop, Josilda Lima, entrou em contato com o Alerta Acre e esclareceu que a empresa não foi paga no final do ano de 2018 pela gestão passada, o que ocasionou o atraso no pagamento dos salários, uma vez que tiveram custos com o décimo terceiro dos servidores. Além disso, a conferência de documentação para a liberação de pagamento demorou mais que o esperado e também ajudou a gerar o impasse.

Ela corrigiu a informação de que a empresa não pagava os funcionários há 1 mês e 17 dias, e disse que somente no final de maio a Pit Stop deixou de pagar os funcionários, quando o caixa da empresa esgotou, pois havia sido usado para pagar o 13° dos funcionários.

Lima também disse que todos os terceirizados da Pit Stop que trabalham na UPA do 2° distrito, nos turnos da manhã, tarde e noite, além dos funcionários do escritório da empresa, estavam sem receber desde o final de maio.

Ela disse que as documentações necessárias para a liberação do dinheiro já foram entregues à Secretaria Estadual de Saúde do Acre (Sesacre), e que até esta sexta-feira (21) os servidores receberão seus salários normalmente.

ATUALIZAÇÃO (19/06 – 11:29): A fiscal de contratos da Pit Stop, Josilda Lima, entrou em contato com o Alerta Acre e disse que conseguiu efetuar o pagamento dos servidores antes do prazo (que era até sexta-feira). Os salários já estão disponíveis na conta dos funcionários.