Alexandre Nardoni foi condenado a 30 anos de prisão pela morte da filha em 2008 — Foto: Nilton Fukuda/Estadão Conteúdo/Arquivo

A Justiça concedeu o regime semiaberto ao detento Alexandre Alves Nardoni, condenado a 30 anos e dois meses de prisão pela morte da filha Isabella Nardoni, que tinha 5 anos. Ele está preso em uma penitenciária em Tremembé (SP) há 11 anos. O detento pleiteava o regime mais brando desde setembro de 2018.

A decisão, de segunda-feira (29) é da juíza Sueli Zeraik, da 1ª Vara de Execuções Criminais (VEC) de Taubaté. O Ministério Público informou que vai recorrer da decisão.

No semiaberto há a possibilidade do detento trabalhar fora da unidade durante o dia e voltar para unidade somente para dormir.

Além disso, os presidiários neste regime, e com bom comportamento, podem deixar a prisão por até 35 dias ao ano, durante as saídas temporárias. Isso já ocorre com a esposa de Alexandre, Anna Carolina Jatobá, cujo benefício foi aplicado em 2017.

Tanto Alexandre, quanto Anna Carolina, sempre negaram ter matado a criança, na época do crime, com cinco anos. Isabella morreu em março de 2008 após cair da janela do apartamento do pai, em São Paulo.

Sobre o caso

Isabella Nardoni foi encontrada morta, no dia 29 de março de 2008, após ter sido jogada de uma altura de seis andares, no jardim do edifício London, prédio residencial na rua Santa Leocádia, 138, Zona Norte de São Paulo.

No apartamento, que pertencia a Alexandre, moravam, além dele, a madrasta da menina e dois filhos do casal, um de onze meses e outro de três anos.

O pai de Isabella teria afirmado em depoimento que o prédio onde mora fora assaltado e a menina teria sido jogada por um dos bandidos. A menina já estava morta com a chegada da ambulância.

Dias após, a investigação constatou que a tela de proteção da janela do apartamento foi cortada para que a menina fosse jogada e que havia marcas de sangue no quarto da criança.

Avaliação

A juíza considerou na decisão que Alexandre tem comportamento carcerário considerado ótimo e que nenhum fator desabona a conduta dele dentro do sistema prisional.

Também ponderou que ele tem vínculos familiares estruturados e planos para o futuro que apontam para uma retomada gradual da vida pessoal, profissional e familiar.

Como ele cumpriu o lapso temporal, sendo o correspondente a dois quintos da pena – considerado no cálculo o abatimento de 634 dias da pena por trabalhar na penitenciária, para a magistrada -, não há como negar o pedido.

‘Saidinha’

A próxima saída temporária prevista no calendário do complexo prisional Taubaté-Tremembé é no dia 7 de maio, para o Dia das Mães.

A madrasta de Isabella Nardoni deve deixar mais uma vez a prisão, porém Alexandre terá que esperar a ‘saidinha’ de Dia dos Pais. A lei prevê que, após concedido o benefício, o detento cumpra um lapso temporal de 30 dias para deixar a prisão pela primeira vez.

Assim que a penitenciária 2, onde Alexandre é interno, for notificada, ele será transferido para uma ala separada, que abriga presos do regime semiaberto.

SAP e defesa

A Secretaria da Administração Penitenciária (SAP) disse, por meio de nota, que remeteu nesta terça-feira (30) à penitenciária Doutor José Augusto César Salgado, a P2 de Tremembé, a decisão que concedeu transição do regime fechado de Alexandre Nardoni para o semiaberto.

A defesa do detento, Roberto Podval, foi procurado no escritório e pelo celular, mas não atendeu as ligações.

*algumas informações foram adicionadas.