Para a maioria dos adolescentes, quando os pais ou avós vão à escola acompanhar os filhos e netos no primeiro dia de aula é motivo de vergonha. Mas, para o jovem Mateus Vegarra, de 20 anos, a companhia da avó, no primeiro dia de aula na universidade foi motivo de orgulho para os dois.

“Fiz como na primeira vez quando fui deixar ele lá no jardim [de infância], segurando a mão dele”, conta Alda José Romão, de 75 anos, que fez questão de acompanhar o neto até a Universidade Federal do Acre (Ufac) no início das aulas, na última quinta -feira (14).

A avó disse que o motivo de sua ida até o campus é por estar realizando o sonho de ver o neto que criou desde quando tinha 1 ano e 9 meses entrando na universidade. Ela, inclusive, recomendou a ele que dê ouvido aos professores. “Disse a ele que faça como aqui dentro de casa, quando a gente fala com ele e nos respeita”.

Vegarra conta que o respeito é a base da relação e seu pensamento é o contrário de muitos jovens. Ele diz que valoriza a presença e a preocupação da avó e afirma que jamais teria vergonha em ser acompanhado por ela no primeiro dia de aula.

“Ela está orgulhosa de mim. Estou feliz de viver esse momento com ela. Minha avó sempre esteve comigo, sempre esteve ao meu lado. Desde criança ela cuidou de mim, com certeza que não fiquei com vergonha”, contou.

O jovem começou curso de letras libras e revela que este era um sonho. “Me inscrevi e quando foi para sair o resultado fiquei acordado até às 4 horas, então, vi meu nome na lista”, lembrou.

Sonho da avó

Mãe de três filhos, Alda estudou até o 4º ano e pela falta de oportunidade e condições da época, não pôde ir além nos estudos, mas diz que sempre sonhou em formar os filhos. Apenas uma filha cursou nível superior. Mesmo assim, ela alimentou o mesmo sonho em relação ao neto.

“Uma pessoa sem estudo não é nada”. Este é o discurso da idosa que é só orgulho do neto universitário. “Senti muita alegria, porque ele desejava muito. Criamos ele desde pequeno e gosto dele como um filho”, diz.

Professora fez registro

A professora Ianele Vital presenciou o momento marcante da família e disse que resolveu fazer o registro, compartilhou a história e falou que o carinho e apego entre os dois chamou atenção. A professora disse que não é comum registrar esse tipo de cena.

“A gente não costuma ver isso, não é típico os pais deixarem os filhos quando eles alcançam a maioridade. Além disso, o carinho, o apego, ela [avó] beijava muito e dizia ‘meu neto é meu orgulho’. Isso me encantou de ver um momento como esse na vida de uma avó”, concluiu.