Para o sobrevivente do incêndio no Centro de Treinamento do Flamengo, Jhonatan Ventura, de 15 anos, a tragédia ainda assombra seu sono. Ao tentar dormir, relembra o acontecimento que o fez perder 10 amigos e ser um dos três feridos.A informação é do Extra.

Jhonatan foi o que ficou mais ferido, passando duas semanas internado com 20% do corpo queimado no Centro de Terapia de Queimados do Hospital Municipal Pedro II, em Santa Cruz, zona oeste do Rio de Janeiro.

“Quando fecho os olhos, eu sinto o calor no meu rosto. Ouço vozes pedindo socorro”, relembra o jogador de base ao seu empresário, Jasiel Carvalho.

O menino contou que chorou quando soube da morte do melhor amigo, também jogador do time, Áthila Paixão. Perguntou então sobre o “Negão”, apelido dado ao outro integrante Pablo Henrique. Jhonatan veio mais uma vez as lágrimas, pois Pablo também faleceu no incêndio. Jhonatan se privou de saber sobre os demais companheiros.

“Ele não desenvolve por completo qualquer assunto. Está mexido, afetado com a tragédia. Tudo está no subconsciente dele, fica mais complicado de equilibrar. Ele fala de forma gradativa, em um processo lento”, afirmou o empresário do jogador, citando a situação médica de Jhonatan.

A expectativa é que Jhonatan saia em 10 dias do Centro de Queimados e seja transferido para a Unidade de Terapia Intensiva (UTI).

Sonho de infância
O sonho de menino de Jhonatan Ventura sempre foi ser jogador de futebol. Quando vestiu a tão sonhada camisa do Flamengo, o menino contou com o apoio da mãe, Renata Cruz, e do empresário Jasiel.

“Não posso ficar para trás. Os meninos seguem treinando”, disse o garoto, antes de saber que as atividades estão suspensas no Ninho do Urubu pela Justiça até que o Flamengo se adeque a todas as exigências para disponibilizar o espaço e proteger as crianças.

O empresário de Jhonatan disse que o menino quer continuar a jogar: “[Ele] quer continuar no Flamengo. Vamos dar o apoio necessário para dar sequência a vida dele. O Jhonatan não morreu. Ele está vivo. Se o desejo é continuar a jogar, vamos respeitá-lo”, encerrou.

Jornal A Tribuna