Ila Fernandes estava no oitavo mês da gravidez. — Foto: Arquivo pessoal.

As mortes de uma mulher e a bebê dela durante o parto – realizado na Maternidade Balbina Mestrinho, em Manaus – serão investigadas pela polícia após uma denúncia feita neste domingo (17).

De acordo com familiares, mesmo com sangramentos, Ila Arantes Fernandes, de 35 anos, esperou mais de 24 horas para ser conduzida a uma sala de cirurgia. Ela e a filha morreram horas depois do parto. O corpo da criança foi ainda deixado no hospital por conta de um “mal entendido” dos funcionários da unidade, de acordo com um familiar.

O esposo de Ila, Fábio Viana Barbosa, contou ao G1 que a mulher deu entrada na maternidade na noite de quinta-feira (14), acompanhada da sogra.

“Por volta das 22h, eu liguei para a minha mãe, aí ela [vítima] disse: ‘Me deram medicamento aqui, mas a dor não passa’. Eu disse: ‘Você ainda está aí? Não te atenderam?’. E ela disse que não, ainda estava sangrando”, relatou.

Barbosa disse que procurou os médicos de plantão, que explicaram que a situação não era grave e que sua esposa iria dar à luz em um parto normal. Já na tarde de sexta-feira (16), Ila foi internada e, desde então, Fábio ressaltou que não recebeu informações sobre o estado de saúde da mulher, até ser comunicado das mortes.

“Eles passaram do meu lado e não falaram nada. Eu perguntei o que estava acontecendo e falaram ‘ela vai para a cirurgia’. Aí, quando foi no sábado, esse desastre. Só a notícia [da morte] da menina, aí depois da mãe. Passaram com a minha esposa morta do meu lado. Eu perdi uma família. Perdi minha filha e minha mulher”, comentou.

Ila Fernandes morreu no penúltimo mês de gestação e daria luz a uma menina. A criança seria o segundo filho do casamento com Fábio Barbosa.

Em nota, a Secretaria de Estado da Saúde (Susam) informou que a mulher apresentava gravidez de 34 semanas, sem sinais de gravidade, mas que foi monitorada por ameaça de parto prematuro. No sábado (16), houve um descolamento prematuro de placenta e, durante uma cesariana realizada, foi constatada a morte fetal.

Ainda segundo o comunicado, após o procedimento, a paciente foi encaminhada à UTI por conta de uma hemorragia, mas morreu depois de sofrer três paradas cardiorrespiratórias.

Após a notícia da morte, o pai da criança reuniu diversos exames realizados pela vítima durante a gestação e fichas de atendimento preenchidas pelos profissionais da Maternidade Balbina Mestrinho. Em seguida, ele foi até o 1º Distrito Integrado de Polícia (DIP), onde denunciou o caso.

O corpo da criança

O corpo da mãe foi encaminhado ao Instituto Médico Legal (IML) para ser submetido a um exame de necropsia, solicitado pelo seu companheiro ao procurar a delegacia. Porém, os familiares foram informados de que o corpo da criança não havia sido conduzido ao Instituto junto com o corpo de Ila Fernandes.

Valdomiro Viana Barbosa, cunhado da vítima, disse ao G1 que os profissionais da maternidade afirmaram que o corpo do bebê foi levado para o IML ainda no útero de Ila Fernandes.

“Eu falei com uma enfermeira e ela disse: ‘A criança está aí [no necrotério]’. Nós chegamos lá e estava só a mãe. Sumiram com o bebê. Foi uma série de divergências. Aí fomos fazer o B.O., e eles alegaram que a criança estava dentro do corpo da mãe aqui no IML. Foi preciso o delegado ir lá para resolver essa situação”, relatou.

O delegado que atendeu a ocorrência, Daniel Bindá, informou à Rede Amazônica que Fábio Barbosa já foi ouvido e que a sogra de Ila Fernandes, que acompanhava a vítima na maternidade, deve prestar depoimento na quarta-feira (20). Um relatório será apresentado ao titular do 1º DIP, que irá decidir se vai instaurar um inquérito para apurar ou indiciar os responsáveis.

A Susam afirmou em nota que abrirá uma sindicância para apurar as circunstâncias do atendimento e as responsabilidades, caso sejam constatadas falhas nos procedimentos.