As sirenes de alerta tocaram em Brumadinho (MG) na manhã deste domingo (27), às 5h30, e moradores começaram a deixar suas casas em pânico. De acordo com informações preliminares, outra barragem estaria em risco: “Atenção, atenção! Evacuação geral da área. Procurem um local mais alto da cidade. Evacuação de emergência. Procurem o local mais alto da cidade”, dizia a mensagem, assustando os moradores.

Em nota, a Vale afirmou que a sirene foi disparada devido ao aumento dos níveis de água na barragem 6, uma das que compõe o complexo de Brumadinho. De acordo com a empresa, a população da região está sendo deslocada para pontos previstos no plano de emergência.

Os moradores estão desesperados e há muita revolta contra a Vale. Eles afirmam que não podem voltar para suas casas e, só depois de muitas reclamações, estão recebendo tendas, montadas pelos voluntários.

A moradora Sandra Gonçalves, de 43 anos, entrou em crise nervosa. De chinelo, enrolada no cobertor e no frio, ela esperava notícias sobre os parentes. Silvana Horta Lopes, 54 anos, também passou a madrugada no frio e reclama que não tinha nem onde sentar.

“A Vale não nos deixou entrar na casa de apoio. Escapei por pouco da lama e a minha casa está interditada, não tenho onde ficar. Nenhum funcionário da Vale foi encontrado para dar informações”, afirma a moradora, reclamando sobre a falta de informações no local.

O bombeiro civil Ivan Nicolau afirma que todas as equipes de resgate estão mobilizadas para retirar os moradores que ainda estão na região ameaçada. A Vale tenta drenar a barragem que está em risco de romper, mas, segundo os bombeiros, isso pode ter aumentado a instabilidade.

Também no início desta manhã, um engenheiro da mineradora disse que o risco aumentou, passando para classificação nível 2 numa escala que vai até 3. As equipes de resgate estão reunidas, mas, nesta manhã, uma forte neblina prejudica o trabalho.

A informação de que a outra barreira teria se rompido havia sido relatada por moradores da região na manhã deste sábado (26), o que não foi confirmado pelas autoridades. Desde ontem, a Vale informou que monitorava a estabilidade da barragem 6 a cada hora e realizava drenagem com uso de bombas, para reduzir a quantidade de água.

Subiu para 34 o total de corpos resgatados em Brumadinho, na Grande BH, em Minas Gerais. As mortes confirmadas já superam o registrado na tragédia de Mariana, em 2015, quando houve 19 vítimas. Um ônibus foi soterrado, e ocupantes foram encontrados mortos dentro do coletivo. Uma pousada que ficava próximo à barragem foi destruída.

De acordo com a equipe dos Anjos do Asfalto, que participa do resgate na região mineira, muitas das vitimas, talvez a maioria, poderão nunca ser encontradas. A lama do rejeito do Córrego do Feijão é mais fluida que a de Mariana e impede que as equipes possam trabalhar nas zonas mais afetadas, o meio do mar de lama, a chamada zona quente.

Familiares, ativistas e moradores denunciam o descaso da mineradora Vale com o atendimento e apoio aos atingidos pelo rompimento da Barragem, em Brumadinho. As principais reclamações são o desencontro de informações e a falta de suporte básico.

Neste sábado, o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, anunciou o envio de uma missão de apoio às buscas por desaparecidos em Brumadinho. O presidente da República, Jair Bolsonaro, aceitou a oferta do governo israelense.

O avião deverá chegar, às 12h, com 140 especialistas, cães farejadores e equipamentos de alta tecnologia para ajudar no salvamento de vítimas e no resgate de corpos, como sonares e detectores de vozes e ecos.

Após a tragédia em Brumadinho, na sexta-feira (25), o gabinete de crise do governo federal recomendou vistoria em todas as barragens do país.

Jornal Extra

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